sábado, 3 de novembro de 2012

Baseado em livro de R R Soares, Três histórias, um destino estreia nos cinemas

Estreou nesta sexta, dia 02/11, o filme “Três histórias, um destino”, uma coprodução da Uptone Pictures em parceria com a Graça Filmes, baseada em livro do missionário Romildo, mais conhecido como R. R. Soares. Filmada nos EUA, com atores norte americanos, trata-se do primeiro grande lançamento de uma produção dita evangélica em cinemas brasileiros, ocupando cerca de 100 salas em todo o país. Ainda que fique em cartaz por poucos dias, já é um feito memorável, considerando que o longa disputa espaço e público com mega produções hollywoodianas e tendo em vista que sua temática foge bastante do que o público está acostumado a ver nas telonas. 

Fui conferir a estreia mais por curiosidade do que pela expectativa de me surpreender com a história. No cinema em que fui, em Osasco, pelo menos as duas primeiras sessões tiveram ingressos esgotados, o que mostra o potencial de sucesso que esse tipo de filme pode ter. O filme foi divulgado basicamente nas igrejas da Graça, onde estão sendo distribuídos ingressos promocionais para quem quiser vê-lo. A intenção da igreja é fazer do filme um meio para divulgação da mensagem cristã. 

O filme conta três histórias de pessoas que tiveram contato com o evangelho, mas que em algum momento as circunstâncias da vida as levaram para caminhos diferentes. São elas, Jeremias (Kevin L. Johnson), um garoto pobre cuja mãe é cristã e cujo o pai tem problema com bebida e está desempregado, Elizabeth (Zoe Myer), filha de uma mãe super-protetora e que vive um amor aparentemente perfeito e Frank (Daniel Zacapa), um pastor iniciante que assume a liderança de uma igreja decadente. As dificuldades financeiras, o egoísmo e a influência de outras pessoas levam os três personagens a um dilema moral entre o que é lícito e o que é conveniente. A fé em Jesus Cristo, que outrora foi esquecida ou deixada em 2º plano, se constitui como o elo de ligação entre os três. 

Dos três personagens, a que mais me impressionou foi a do o pastor Frank. Justamente porque o filme nos conduz a uma crítica da sua trajetória, permeada pela ganância e opulência, muito comum nas igrejas que praticam a teologia da prosperidade, defendida pelo missionário Romildo Soares. Estaria o missionário fazendo uma autocrítica através do filme? De qualquer forma, foi interessante ver que o filme mostra os cristãos de uma forma mais humanizada, com defeitos e conflitos, mostrando que todos estamos sujeitos à falhas, mas Deus está pronto a perdoar. 

Um dos maiores problemas que percebi no filme foi na adaptação da história para o cinema. Mesmo não tendo lido o livro, observei algumas falhas na edição, que atrapalharam o ritmo do roteiro, embora não tenham prejudicado sua mensagem. Como o filme se intercala o tempo todo entre as três histórias, é importante escolher o momento certo para fazer a transição entre elas, e isso faltou no filme. Em um dos momentos, por exemplo, o editor corta para Jeremias num momento crucial da gravidez de Elizabeth. Quando o filme se volta novamente para ela, o expectador fica com a sensação de que foi tomar um café e perdeu uma parte do desenrolar da história. Outra falha está numa cena em que o pastor Frank sofre uma tentação. A cena, de uma tensão desproporcional como se tivesse saído de um filme de terror, ficou deslocada do restante do filme, e pode ter pego desprevenidas algumas famílias que trouxeram crianças menores. 

O roteiro também deixou a desejar em vários momentos. O filme é excessivamente narrativo e, em alguns momentos, a narração parece simplesmente querer ser didática, explicando de forma desnecessária o que a cena, por si só, já poderia explicar. Alguns diálogos são tão pobres que chegaram a arrancar risos da plateia, como quando o namorado de Elizabeth a elogia dizendo, em tom sério, que gostou muito dos genes (!) dela e ela retribui dizendo que também gostou muito dos dele. Mas ainda assim o filme se salva pela sua capacidade de transmitir, de uma forma atual, a mensagem cristã do amor e do perdão. Essa, aliás, é a grande tônica do longa, que é recheado de referências a Deus, a Jesus e à igreja. Na cena em que Jeremias recebe oração de exorcismo, ficam nítidas as expressões usadas pelo missionário Romildo Soares. Ao final da sessão, o filme foi aplaudido e várias pessoas se abraçaram emocionadas na saída. 

Resumindo, pode-se dizer que o filme foi eficiente naquilo em que se propôs: abrir novas fronteiras para divulgação da mensagem cristã no Brasil. É obvio que há muito o que melhorar, e seria mentiroso não reconhecer isso, apesar da minha torcida pelo sucesso do filme, como cristão que sou. Mas sem dúvida, “Três histórias: um destino” representa um passo importante no estabelecimento do cinema com temática cristã no Brasil, e no estímulo do mercado cinematográfico para oferecer mais opções a esse público.

TRÊS HISTÓRIAS, UM DESTINO (Destiny Road, 2012) 
Direção: Robert C. Treveiler
Graça Filmes / Uptone Pictures 
Classificação: 10 anos 

EF